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Jornalista que publicou áudios desafia mídia a provar que sua denúncia é falsa

Afinal, apenas falar que é falso é muito fácil!

Nesta terça-feira (12), o jornalista belga, Jawad Rhalib, fez uma publicação questionando a grande mídia brasileira e o Mediapart, que acusaram sua denúncia de conter informações falsas.

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Leia a tradução do artigo publicado por Rhalib:

“Como parte do meu trabalho, como uma investigação documental, eu investiguei vários assuntos, em vários países, a homossexualidade e prostituição no Vietnã, crianças de centros drop-off em Madagáscar, o “presumido” fim do apartheid na África do Sul, a primavera árabe no Marrocos, a exploração dos indocumentados em estufas espanholas, a luta dos plantadores de coca e Evo Morales na Bolívia, indústrias farmacêuticas que enfrentam a doença de Chagas, a liberdade de artistas contra o fundamentalismo … durante vários meses, eu comecei com a minha equipe (jornalistas, sociólogos e estudantes de pesquisa) sobre as seguintes questões: Qual é a forma utilizada pela mídia para distorcer nossas vidas e nossa percepção da realidade? E como funciona o trabalho dos jornalistas que nos entregam informações diariamente? Até que ponto os jornalistas podem ir para se tornar conhecidos, se tornar famosos, subir a escada?

A pesquisa foi realizada em vários países, incluindo o Brasil, que sofreu escândalos de corrupção no mais alto nível do estado. Investigamos jornalistas da esquerda, da direita, do centro, de todas as tendências.

Eu pessoalmente não conheço Constança Rezende, mas sua fúria contra o presidente brasileiro – que eu não sou fã – e sua comitiva, deixou-nos intrigados… fez dela um “sujeito” perfeito para ser estudado de perto. Queríamos expor e entender como alguns jornalistas constroem sua credibilidade ao relatar rumores, histórias, opiniões e fatos sem, às vezes, ou com frequência, verificar a validade antes de transmiti-los às pessoas, como se houvesse falta de tempo. É a corrida para quem entrega o furo primeiro, quem faz o burburinho… por mais rentabilidade, para oferecer um retorno sobre o investimento aos seus proprietários, que colherão lucros às custas da INFORMAÇÃO.

Constança Rezende, como muitos jornalistas, infelizmente, está hoje a serviço de empresas de “difusão” da informação, cujo leitor ou telespectador é tido como um produto, que é vendido aos anunciantes que estão em busca de clientes. É o “tempo do cérebro humano disponível”, de acordo com a expressão formulada em 2004 por Patrick Le Lay, então CEO do grupo TF1, que vendeu, segundo ele, para a Coca-Cola “tempo do cérebro humano”.

Nestes últimos dois dias, aproveitei para ler as reações da imprensa. Muita informação falsa sobre o assunto, muitas fantasias. Eu nunca mencionei os nomes das pessoas que colaboraram comigo. Isso é chamado de “proteção de fonte”, de todas as pessoas que contribuem diretamente para a coleta, escrita, produção ou disseminação de informações, através de um meio, para o benefício do público.

Meu blog não envolve a responsabilidade editorial e legal da Mediapart, que me oferece um espaço de informação, debates, trocas e discussões, respeitoso da liberdade de expressão. A Mediapart disse no Twitter que a informação publicada em seu site era falsa; eu os convido a perguntar, a cavar como costumam fazer, antes de realizar tal julgamento; questionar nossa investigação e nossa integridade. Como eles podem alegar que minhas informações ou fontes são falsas quando não sabem nada a respeito? Eles têm o direito de expressar sua solidariedade para com a jornalista em questão, mas não questionar meu profissionalismo ou o da minha equipe. Não é porque o artigo é, neste caso, favorecido por Bolsonaro, que eles têm o direito de se levantar como defensores de uma jornalista acusada.

Alguns meios de comunicação brasileiros me acusam de publicar informações falsas, convido-os a perguntar aos interessados. Pessoalmente, eu apenas informei o público. Eu sou tão livre quanto Constança Rezende para publicar minha investigação com base em fatos reais e verificados, bem como em evidências físicas e gravações de áudio. Eu não esperava esse aumento da mídia na twittosfera, mas isso prova que, todos os dias, o público forma opiniões, pontos de vista, preconceitos sobre seus parentes, vizinhos, sobre produtos vendidos no supermercado, da política, da ecologia, das religiões … no que lhe diz respeito de perto ou de longe. Em suma, podemos dizer facilmente que os jornalistas estão em toda parte à nossa volta.

Jawad Rhalib

Jornalista profissional belga”

Para ler o texto em francês, clique AQUI.

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